Voando na Inglaterra
Estou em Londres. Neva desde ontem `a noite. Muito lindo. Tudo branco lá fora. Fui caminhar na neve e voltei cansada. Há dezoito anos nao neva aqui desde modo. Entao a cidade nao está preparada para tal. Isto me espanta. Quando cheguei aqui, ainda na Imigracao (Imigration Office) quase me perguntaram aonde eu iria colocar minhas calcinhas para secar. O lema Vigiar e Punir vigora aqui. Mais vigiar do que punir, parece-me. Mas nao controlaram o atentado ao Metro e nem controlam uma nevasca que parou a cidade! Nada aberto. Nenhum supermercado aqui perto da casa. As escolas fechadas. Onibus nao passam. E as ruas estao repletas de neve! Na Alemanha, a neve ainda está nas nuvens e o alarme é dado e dai a um segundo os caminhoes estao pela ruas limpando e jogando sal e areia. Como uma Potencia como esta nao dá conta de uma nevasca? No Brasil, daria para entender Todo ano chove no verao. E todos os anos temos problemas terriveis. Mas somos republiqueta de banana. Banana, nao! As bananas daqui sao provenientes do Equador, Republica Dominicana, Colombia..nao do Brasil. Digamos, somos uma republica das mangas ou das uvas. Alias, algo que me faz pensar que este Brasil ainda tem grande futuro. Bom. Fico por aqui.
Escrito por Virgo às 19h38
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Viver de Brisa!
Ontem, encontrei-me com ótimas pessoas, bem inteligentes e simpáticas. Fiquei até pensando depois que a razão de minha melancolia constante, chamada pelos adeptos da iatrogênese de depressão, tem a ver com esta solidão intelectual que tem me acompanhado, mais ou menos, e de modo mais agudo desde 1993.
Mas tenho algo em particular a dizer:
Ontem, tive o prazer de rever um exemplar de ser humano inteligente no mundo.
Ele é ex guerrilheiro e conhece algumas pessoas com as quais convivi. Ele me falou de Viver de Brisa e eu lhe falei de querer a UTOPIA!
Um pensamento meio hippie, poderiam dizer alguns, e, portanto, meio fora de moda.
Ainda bem. Já passei da idade de andar na moda e meu senso crítico aguçado, e que hoje guardo bem dentro de mim, me faz não aceitar com tanta facilidade o modo de ser comum típico das pessoas ditas normais, em geral, burras e covardes.
Quero cada vez mais distância de pessoas normais!
Bom. Comentei com meu inteligente conhecido que Marx, o velho Karl, me influencia até hoje. Nas dezenas de aulas que dei sobre o pensamento do ilustre pensador, eu acabei me convencendo de algumas de suas teorizações. Uma delas refere-se à alienação e, por isso, resolvi sair do estado lastimável em que me encontrava recuperando minha capacidade criadora, dada aos homens pelos deuses e pelo deus, e executar tarefas manuais e não somente trabalho intelectual. Resolvi cozinhar, passar as roupas da casa, em suma, desenvolver também minha autosuficiência, no sentido atual da palavra. Resolvi também aprender a fazer artesanato, estudar arte, fazer aulas de dança desenvolvendo com isto outro aspecto da vida que não o produtivo.
Terra e arte.
Meu caráter neo-romântico me fez largar a ciência, ou melhor, meu desconforto com a visão de mundo gerada pela ciência me fez transformar em uma 'neo-romantic person'. Concordo com Gilbert Durand quando aponta para o caráter reducionista da ciência e compreendo que ela tem que ser assim mesmo. Mas gosto, quero e acho necessário a reinstauração do sentido ou do Sentido, como quiser o leitor que não existe.
Da ciência eu quero seu aspecto prático - a técnica. Quero a técnica para o cultivo de morangos, quero a técnica para produzir a partir da natureza, mas de modo direto. Ontem, eu escrevi uma coisa tão interessante aqui, mas o sistema deu problema e apagou tudo. Mas era algo como: agora quero minha terra, acordar com a natureza: o locus da minha u-topia!

(continua)
Escrito por Virgo às 13h50
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Às vezes, eu fico pensando no motivo que levou esta cidade a desenvolver tanta impessoalidade nas relações sociais.
Será que foi a ciência? Não pode ser porque as pessoas são acríticas, aceitam somente as aparências das coisas.
Será que foi o processo de ocupação da cidade, inclusive com os grupos culturais diversos?
Ou será que foi a psicologizaçao das classes médias?
eu acho que a psicologizaçao endureceu as pessoas , ao invés de aquecê-las por dentro.
Escrito por Virgo às 19h40
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|